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Embalagem: Problema ou solução quando o tema é sustentabilidade?

Por Fabiane Staschower
Publicado em 14/03/2018

Embalagens são as primeiras a serem consideradas vilãs quando falamos em sustentabilidade. Claro que não podemos negar que há empresas que ainda não entenderam este conceito, bem como muitos consumidores, que ainda não veem a necessidade de separar seu lixo, ou mesmo governos, que preferem não se relacionar de maneira mais ativa com o tema.

Esta culpa atribuída às embalagens está especialmente relacionada à destinação final que elas recebem pós-consumo. Além da grande quantidade de lixo que acaba nos aterros, 6,4 milhões de toneladas de lixo sólido não foram coletados em 2011, por terem sido descartados em locais impróprios, como rios e terrenos baldios ou por terem sido queimados. Estes valores são assustadores.

No entanto, as embalagens são um recurso indispensável atualmente. Sem a proteção que caixas e pacotes oferecem, teríamos provavelmente um planeta ainda menos sustentável. Perderíamos milhares de quilos de alimentos diariamente devido à contaminação, ao menor tempo de conservação, ou devido a perdas durante o transporte. Não podemos esquecer que as embalagens surgiram, e ainda são fundamentais, justamente para proteger diversos itens no momento de transporte e armazenamento. Não conseguiríamos trazer para casa muitos tipos de alimentos ou mesmo escovar nossos dentes ou consumir medicamentos sem que os produtos fossem devidamente embalados.

Um estudo feito no Reino Unido* sobre a indústria de alimentos mostra que as embalagens utilizadas no setor representam 1% da emissão dos gases de efeito estufa no planeta. Em comparação, o impacto, muitas vezes não contabilizado, dos processos de cultivo, colheita, processamento dos alimentos, armazenagem, transporte e descarte resulta em 17,4% da emissão. Isso prova que a produção de alimentos traz impacto muito superior ao gerado pelas embalagens na indústria alimentícia.


Nesse contexto, é mais importante pensarmos em formas de tornar as embalagens mais sustentáveis e mostrar ao mundo que nosso mercado é uma solução, não um problema.


Por isso, algumas escolhas são importantes para definir como desenvolver cada embalagem. São elas:


MATERIAL UTILIZADO

É fundamental preferir materiais vindos de fontes renováveis (que não serão esgotadas com a sua utilização) e materiais que possam ser reciclados – de preferência monomaterial, para facilitar o processo de reciclagem. Sempre que possível opte por materiais reciclados.


DIMENSIONAL

É importante utilizar embalagens que tenham tamanho adequado a cada produto e evitar as sobre-embalagens. Além disso, é imprescindível que as gramaturas sejam adequadas para cada caso, porque de nada adianta elaborar embalagens que utilizem menos material, mas que não protejam suficientemente o produto e resultem em mais desperdício.


UTILIZAÇÃO DE ROTULAGEM AMBIENTAL

Este tipo de rotulagem é necessário para auxiliar tanto o consumidor, para que saiba exatamente o que está consumindo, como as cooperativas de reciclagem e reaproveitamento, para que direcionem os materiais para a separação adequada. Existe um programa de autodeclaração ambiental promovido pela ABRE - Associação Brasileira de Embalagem (www.abre.org.br) em que é possível encontrar todas as simbologias para utilizar nas embalagens gratuitamente.


BOA COMUNICAÇÃO

A própria embalagem já é um meio incrível de comunicação e pode ser mais explorada para contar aos consumidores sua importância, as atitudes que a empresa vem tomando sobre sustentabilidade, os atributos da embalagem que ajudam a reduzir o impacto no meio ambiente e formas como o consumidor pode ajudar a manter o planeta mais sustentável.

Além destas questões, é necessário avaliar também o ciclo de vida do produto a ser embalado, desde a sua produção até o seu descarte e reciclagem. Assim, é possível tomar as melhores decisões quanto às embalagens, em especial trabalhar para acrescentar ao ciclo a economia circular, em que os materiais podem ser reciclados, reutilizados ou recuperados.

O consumidor já esta sensibilizado pelo tema, mas, de maneira geral, ainda não age da forma mais adequada. Portanto, a educação é um ponto fundamental a ser considerado. De nada adianta ter todas essas preocupações no desenvolvimento das embalagens se nós, enquanto consumidores, não formos os protagonistas desta história. Atitudes como realizar a separação e descarte adequado das embalagens dentro de casa e escolher no mercado as marcas que destacam a sustentabilidade fazem a diferença nessa empreitada.


1) Diretrizes da Associação Brasileira de Embalagem (ABRE) para embalagens mais sustentáveis

As diretrizes da ABRE para embalagens sustentáveis são divididas na otimização de três grandes dimensões: função da embalagem; otimização da embalagem e embalagem na economia circular. As questões-chave no processo são:

- A otimização do ciclo de vida do produto, com o mínimo consumo de recursos e geração de resíduos.

- A valorização da função da embalagem ao longo de toda a cadeia de valor do produto.

- A orientação para a especificação e projeto de embalagem visando a facilitar sua revalorização e a eficácia de seu desempenho.

- A eficiência na revalorização da embalagem, considerando o sistema e infraestrutura atuais e futuros para sua reutilização, remanufatura e reciclagem, promovendo uma transição para o modelo de economia circular.

- A comunicação e educação ambiental do consumidor quanto ao uso do produto e destinação adequada da embalagem.



2) Rotulagem Ambiental

A rotulagem ambiental tem como função comunicar aos consumidores os benefícios ambientais dos produtos e embalagens. Isso estimula a demanda por produtos com menor impacto ambiental, promovendo educação e o desenvolvimento sustentável. A simbologia técnica identifica o material e fortalece a cadeia de reciclagem e a revalorização de materiais.

Rotulagem Ambiental do Tipo 1 - ISO 14024:1999 e ABNT NBR ISO 14024:2004: Essa norma “estabelece os princípios e procedimentos para o desenvolvimento de programas de rotulagem ambiental do Tipo I, incluindo a seleção de categorias de produtos, critérios ambientais e características funcionais dos produtos, além de parâmetros para avaliar e demonstrar sua
conformidade. Essa norma também estabelece os procedimentos de certificação para a concessão do rótulo”. São selos ambientais, baseados num conjunto de critérios e definidos por estudos de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV).

Rotulagem do Tipo II - Autodeclarações Ambientais - ISO 14021:1999 e ABNT NBR ISO 14021:2004: Norma que especifica os requisitos para autodeclarações ambientais no que se refere aos produtos, incluindo textos, símbolos e gráficos. Além da metodologia de avaliação e verificação geral para autodeclarações ambientais e métodos específicos de avaliação e verificação para as declarações selecionadas na própria norma, ela descreve também os termos usados comumente em declarações ambientais e fornece qualificações para o uso deles.

Declarações Ambientais do Tipo III - ISO 14025:2006: A Declaração Ambiental do Tipo III, mais comum em relações B2B, exige a avaliação de ciclo de vida segundo as normas da série ISO 14040 (ABNT NBR ISO 14040 e 14044, 2009).

*Cooking up a storm: Food, greenhouse gas emissions and our changing climate. Tara Garnett. Food Climate Research Network. Centre for Environmental Strategy. University of Surrey. September 2008.

Fonte: Embalagem e Sustentabilidade – Desafios e orientações no contexto da Economia Circular (Cetesb - Companhia Ambiental do Estado de São Paulo e ABRE - Associação Brasileira de Embalagem, 2016 - www.abre.org.br). http://www.abre.org.br/wp-content/uploads/2012/08/embalagem_sustentabilidade.pdf

Fonte: Cartilha de Rotulagem Ambiental para Embalagens ABRE http://www.abre.org.br/wp-content/uploads/2012/07/cartilha_rotulagem.pdf

Fabiane Staschower é Executiva de Inovação de Embalagens da Ibema Papelcartão.

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