ARTIGOS IBEMA

Por que escolher o papelcartão?

Por Elizabeth de Carvalhaes
Publicado em 25/04/2018

Design, comunicação, eficiência, segurança e sustentabilidade fazem do material a melhor escolha para embalagens

Segurança, resistência e leveza são algumas das qualidades do papelcartão. Por ser mais espesso, rígido e compacto, é ideal para confeccionar caixas e embalagens de alimentos, cosméticos, medicamentos, bebidas, bem como capas de livros. Com inúmeras possibilidades de design e excelente qualidade para impressão, é também uma ótima ferramenta de comunicação. E o grande destaque fica por conta de seu material ser biodegradável e 100% reciclável.

Estas características fazem com que o papelcartão seja considerado ideal para a confecção de embalagens, segundo a Presidente Executiva da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Elizabeth de Carvalhaes. “Ele é fundamental no dia a dia de comerciantes e consumidores. É base, por exemplo, para a produção de um material chamado ’Polpa Moldada’, que serve para bandejas para transporte e proteção de diversos produtos, como hortifrutigranjeiros, ovos, lâmpadas, celulares, geladeiras, fogões, entre outros”, destaca.

Por isso, a Ibá criou recentemente um comitê que tem como missão o desenvolvimento de ações institucionais para a valorização do papelcartão e do papel para a fabricação de embalagens. O comitê está ainda em fase inicial, estabelecendo o seu planejamento estratégico, e reúne executivos das áreas comerciais, de marketing e de comunicação das empresas associadas à Ibá.

A matéria-prima básica do papelcartão é a celulose, resultante principalmente do beneficiamento da madeira de florestas plantadas e da reciclagem de aparas de papel geradas durante o processo industrial. O Brasil é pioneiro em sustentabilidade e manejo responsável, com toda a produção nacional proveniente de florestas plantadas – que ocupam 7,84 milhões de hectares, o correspondente a 0,9% do território nacional.

Ao mesmo tempo que o setor produtivo florestal é capaz de intensificar a sua produção, garante altos padrões de gestão social, manutenção dos corredores ecológicos, eficiência da proteção à biodiversidade, preservação dos recursos hídricos e remoção de carbono da atmosfera, segundo Elizabeth.


INDÚSTRIA SUSTENTÁVEL

O plantio de florestas é realizado pelas empresas do setor e por meio de importantes programas de fomento, que geram valor social, valorizam pequenos produtores e ajudam a reduzir a pressão sobre florestas nativas com a recuperação de solos degradados. Em 2015, 18 mil famílias foram beneficiadas por programas de fomento em todo Brasil. “As empresas investem em pesquisa, tecnologia e inovação para desenvolver produtos mais diversificados e sustentáveis. Investem também em todo o ciclo de produção, melhorando processos e adotando as melhores práticas socioambientais”, detalha a presidente.

Por meio desses programas, as empresas estabelecem parcerias com pequenos produtores, diversificam atividades locais, geram emprego e renda e contribuem para o desenvolvimento das comunidades ao redor dos
plantios e das indústrias. Elas investem em programas de saúde, educação, cultura e qualidade de vida, que beneficiam cerca de 2 milhões de pessoas, o que faz do setor também um importante agente de desenvolvimento econômico e social do país.

Além disso, o plantio de árvores tem um importante papel ambiental ao evitar o desmatamento de habitats naturais, protegendo a biodiversidade, o solo e as nascentes de rios e recuperando áreas degradadas. Para cada hectare plantado para fins industriais, o setor protege outro 0,7 hectare em áreas de reserva, segundo a Ibá. São 5,6 milhões de hectares de áreas naturais na forma de Áreas de Preservação Permanente (APPs), de Reserva Legal (RL) e de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPNs).

As árvores são fontes de energia renovável e contribuem para a redução das emissões de gases causadores do Efeito Estufa, por serem estoques naturais de carbono. Os 7,84 milhões de hectares de florestas plantadas pelo setor foram responsáveis pelo estoque de aproximadamente 1,7 bilhão de toneladas de dióxido de carbono equivalente em 2016 (CO2eq – medida métrica utilizada para comparar o efeito dos vários gases de Efeito Estufa e o potencial de aquecimento global de cada um).

“O setor produtivo florestal é peça importante de um movimento global que converge para a consolidação de uma nova ordem econômica, essencialmente de baixo carbono, em que a solução passa diretamente pelas florestas plantadas que geram matéria-prima e produtos sustentáveis, com ciclos renováveis”, afirma a presidente da Ibá.


MERCADO

Com condições climáticas favoráveis, disponibilidade de terras e indústria bem desenvolvida, o Brasil é um dos maiores produtores de celulose e papel do planeta. O setor vem aumentando a sua importância na economia brasileira ano a ano. A área total de árvores plantadas no Brasil alcançou 7,84 milhões de hectares em 2016 (+0,5%), com uma receita bruta que totalizou R$ 71,1 bilhões, o que representa 6,2% de participação do setor no Produto Interno Bruto (PIB) do país. Em 2016 a Balança Comercial do setor alcançou números inéditos, fechando o ano com superávit de US$ 7,8 bilhões (+3,2%), segundo a Ibá.

O segmento de papelcartão representou 6,4% da produção de papéis em 2016. Desde 2013, quando o Brasil embarcou em uma forte crise econômica, o produto vem apresentando queda na produção (-10%), influenciada principalmente pela queda nas vendas domésticas (-9%), como pelas exportações (-12%). “A boa notícia é que as vendas domésticas se estabilizaram em 2016, na comparação com o ano anterior, com 505 mil toneladas comercializadas internamente”, aponta Elizabeth.





O ano de 2017 sinaliza um cenário positivo de mudança para o produto. Entre janeiro e setembro, a produção de papelcartão cresceu 3,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo nos primeiros nove meses do ano 522 mil toneladas fabricadas. O mercado mostra sinais de recuperação com aumento de consumo: as vendas domésticas cresceram 0,8%, as exportações, 13,9% e as importações, 18,5%.

No panorama internacional, o Presidente da Ibema, Nilton Saraiva, observa que a indústria de papelcartão teve um excelente resultado na Europa nos últimos anos. Os dez melhores grupos de cartão europeus possuem uma participação de mercado de 40%, cada um com capacidade de conversão superior a 50 mil toneladas, segundo a Associação Europeia de Cartão e Papelcartão Pro Carton. “O consumo do produto vem crescendo de maneira consistente lá devido à maior conscientização ambiental dos europeus e à preocupação com a qualidade. É um modelo e um exemplo a ser seguido pelo Brasil”, avalia.

Na comparação com o Brasil, o presidente aponta que o consumo de embalagens com papelcartão vem caindo no país, principalmente devido à concorrência com o plástico, que é mais barato. “Em momentos de crise, é comum que haja substituição de um pelo outro. Mas a diferença de comportamento do consumidor, e características como a taxa de lixo mais cara na Europa, por exemplo, fazem muita diferença nesta escolha”, explica.

O presidente lembra ainda que existem muitos mitos sobre a indústria do papel, no Brasil e no mundo, que precisam ser esclarecidos à população. “Por exemplo, as florestas estão aumentando de tamanho no mundo, enquanto no Brasil, ocorre o contrário. Mas nós perdemos muitas florestas para agricultura e pecuária predatórias aqui”, analisa.


VANTAGENS DO PAPELCARTÃO
Segundo a Associação Europeia de Cartão e Papelcartão Pro Carton (European Association of Carton and Cartonboard Manufacturers), os principais motivos para escolher cartões e papelcartão para embalagens são:


1) DESIGN

Com alta qualidade de impressão, possibilidade de criar texturas e finalizações diferenciadas e técnicas especiais de impressão, o papelcartão é versátil. Com o produto é possível criar estruturas variadas, como caixas em diversos formatos, com tampas de abrir e fechar, cortes, aberturas, displays. Com isso, o material possibilita uma infinidade de soluções inteligentes em embalagens, tanto para as marcas, como para os consumidores.


2) COMUNICAÇÃO

O papelcartão é parte fundamental do mix de publicidade e propaganda dos produtos. Além de displays, as embalagens podem impactar e persuadir os consumidores, uma vez que 75% das decisões de compra são feitas diante das prateleiras, com o contato visual com o produto. E a qualidade da embalagem é parte importante do reconhecimento da marca. Segundo um estudo do Instituto Karmasin, as embalagens em papelcartão são bem vistas pelos consumidores por passarem a imagem de maior segurança e confiabilidade. São vistas como mais fáceis de reconhecer, abrir e utilizar em relação a outros tipos de embalagem, e também consideradas ecofriendly, por serem a opção mais sustentável. E o papelcartão possibilita a inclusão de mais informações nas embalagens, com mais qualidade e clareza.


3) EFICIÊNCIA

Com uma grande variedade de usos, o papelcartão pode embalar alimentos secos, produtos farmacêuticos, tabaco, cosméticos, tecidos, alimentos refrigerados e congelados, itens de confeitaria, bebidas, entre outros. Não é à toa que o papelcartão movimenta na Europa cerca de 10 bilhões de euros por ano. Outras vantagens são que, com o desenvolvimento da tecnologia ao longo dos últimos 20 anos, o peso do papelcartão diminuiu aproximadamente 40%; as matérias-primas estão prontamente disponíveis e são totalmente sustentáveis; a resistência e a maior rigidez do papelcartão resultam em menor desperdício no transporte dos produtos.


4) SUSTENTABILIDADE

Os recursos utilizados na produção do papelcartão são renováveis. A maior parte da produção no mundo vem de florestas plantadas e muito pouco se origina de florestas nativas. Cerca de 40% do papelcartão na Europa é feito de fibra virgem e 60% é proveniente de fibra reciclada. E, todos os anos, as florestas europeias aumentam, acumulando um crescimento de mais de 30% desde 1950. Certificações como o FSC® (Forest Stewardship Council®) garantem que o manejo seja feito de maneira sustentável. As árvores crescem absorvendo dióxido de carbono e armazenando carbono – processo que é medido em termos de carbono biogênico. Ou seja, as árvores plantadas ajudam a remover o carbono da atmosfera e contribuem para reverter o Efeito Estufa no planeta – o carbono positivo.

E o papelcartão é totalmente reciclável. Suas fibras podem ser recicladas cerca de cinco vezes e, quando a reciclagem não é mais uma opção viável, podem ser compostadas organicamente ou transformadas em energia por incineração especial. Atualmente, o papelcartão é o material de embalagem mais reutilizado na União Europeia, com uma taxa de reciclagem de 81,3%, segundo dados da Confederação Europeia de Papel.


5) SEGURANÇA

Embalagens em papelcartão podem ser projetadas para incorporar sistemas de segurança, como provas de violação, resistência infantil ou outros benefícios relacionados à marcação, design construtivo criativo, tecnologias de sistema de impressão e tinta. Isto também ajuda a reduzir as perdas e garante ao varejo maiores níveis de confiança. Na Europa, 62% do papelcartão produzido é usado para embalar alimentos. E, ao proteger e reduzir o desperdício de alimentos, o papelcartão contribui para um consumo mais sustentável, beneficiando a sociedade, trazendo modernização e conveniência para nossas vidas. Sem as embalagens, os preços finais dos produtos aumentariam, porque os supermercados não conseguiram manipular, armazenar e exibir a mesma gama de produtos que conseguem oferecer hoje.

As embalagens representam uma porcentagem de menos de 5% do preço final dos produtos. Para medicamentos, o valor cai para menos de 0,1%. Considerando isto, o impacto ambiental das embalagens acaba sendo equilibrado se comparado aos benefícios que proporcionam, ao evitar o desperdício de recursos mais caros, especialmente dos alimentos.

Elizabeth de Carvalhaes, presidente Executiva da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá).

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