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O que o impressor pode fazer para contribuir com a sustentabilidade?

Por Sérgio Rossi
Publicado em 02/05/2018

Nos últimos anos, li dezenas de artigos sobre gráfica sustentável, todos eles abordando de forma bastante técnica as variáveis relacionadas ao assunto, como o uso de papéis reciclados, menor consumo de energia, uso moderado de produtos químicos, tintas, solventes e outros emissores de VOC, etc.

De acordo com o site Design by Nature, o papel reciclado consome 27% menos energia no processo de fabricação, libera 47% menos gases responsáveis pelo Efeito Estufa, o desperdício de água é 33% menor e o do solo é de 54% e por aí vai. Com base nisso, a escolha desse tipo de suporte significa uma grande contribuição à causa. Porém, essa decisão nem sempre é de responsabilidade da gráfica.

O que gostaria de discutir aqui é o que o impressor pode fazer para contribuir com tudo isso, ou seja, qual a parte que lhe cabe quando o assunto é sustentabilidade. Tenho a percepção de que o que mais agride o meio ambiente é o excesso de descarte de toda sorte de material. No caso dos processos gráficos (pré impressão, impressão e acabamento) isto significa desperdício de papéis, tintas, vernizes, adesivos, solventes, entre outros.

Desse ponto de vista, quanto mais bem treinado for o profissional, menor será a quantidade de erros e perdas decorrentes. Pelo mesmo motivo, quanto maior o conhecimento do impressor, menor será o consumo de tinta, de solução de molhagem, de blanquetas, de rolos, de solventes e assim por diante. A título de contribuição, listo a seguir uma série de sugestões para tornar o trabalho do impressor mais sustentável:


• Manusear o papel o mínimo possível. Dê preferência em mantê-lo embalado até o momento do uso.

• Transportar o papel com equipamento adequado: empilhadeira de clamp com controle de pressão para bobinas e empilhadeira de garfo para pallets.

• Evitar remover desnecessariamente as primeiras voltas da bobina, as chamadas mantas.

• Para papel embalado em resmas, utilizar o sistema non stop das impressoras e desembalar poucas resmas por vez, para evitar que o papel interaja com o ar ambiente da sala de impressão.

• Se possível, evitar o pré-refilo, só o faça quando absolutamente necessário.

• Ajustar os acessórios das mesas de alimentação e margeação de folhas (ventosas, roldanas, cepilhos, palhetas, detectores etc.) com a máxima precisão, para evitar falhas e interrupções na produção.

• Ajustar a tensão do papel em bobinas de acordo com as recomendações do manual de operação da impressora, para evitar quebras, variações de registro de cores, de corte e de dobra.

• Ajustar as alturas de chapas e blanquetas com precisão, conforme as recomendações do manual de operação da impressora.

• Ajustar a rolaria com precisão, utilizando um gabarito de faixa de rolo. Avaliar periodicamente a dureza e o diâmetro dos rolos.

• Iniciar um novo serviço com uma quantidade de tinta e de solução de molhagem menor do que a necessária e aumentar gradualmente até alcançar a qualidade desejada. Isto evita excessos.

• Acertar a densidade das tintas de acordo com as normas existentes (ISO 12647, GRACOL, SNAP, SWOP).

• Estabelecer uma velocidade compatível com as características do trabalho a ser impresso. Nem sempre velocidade maior garante maior produtividade, embora se deva procurar sempre a maior velocidade possível.

• Implantar uma rotina de controle de processos para monitorar as variações de densidade, ganho de ponto, condutividade da solução de molhagem, dureza dos rolos, umidade relativa do ar etc.


A prática comprova que as orientações acima contribuem significativamente para reduzir os problemas e os desperdícios.

Sérgio Rossi é Engenheiro Químico, Mestre em Tecnologia Nuclear (IPEN - Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) e Pós-Graduado em Tecnologia Gráfica (RIT - Rochester Institute of Technology). É ainda autor dos livros “Manual para a solução de problemas em impressão offset”, “Graphos - glossário de termos técnicos em comunicação gráfica” e “Acabamento - encadernação e enobrecimento de produtos impressos”. Rossi é Consultor desde 1993, com mais de 35 anos de experiência no segmento gráfico, nas áreas de pré-impressão e impressão offset.

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