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A embalagem de papelcartão e o meio ambiente

Publicado em 06/06/2018
Fonte: Revista Ibema Por Você - 13

Por Manoel Manteigas de Oliveira

Notícias frequentes sobre guerras, atentados terroristas e crises econômicas levam muitos de nós a acreditar que a qualidade de vida global está piorando. Na verdade, é bem o contrário. Como nossa vida é breve, acabamos por olhar apenas um pedacinho da história, das algumas poucas décadas de que somos testemunhas. No entanto, se estendermos nosso olhar para o período de vários séculos, fica claro que vivemos hoje muito melhor que nossos antepassados. Sob qualquer critério, é certo que a humanidade tem evoluído. Qualquer família de classe média em São Paulo vive muito mais e melhor que a realeza na Idade Média.

No entanto, há questões urgentes que a humanidade tem que enfrentar e resolver, para garantir a continuidade desse progresso. O resgate de grandes grupos populacionais que vivem em extrema pobreza, por exemplo, é um desafio. Outro, que deveria preocupar a todos, é a questão ambiental. Felizmente, cada vez mais pessoas e governos estão decididos a agir, embora haja alguns retrocessos conjunturais.

A questão ambiental envolve, basicamente, três aspectos. Um é a contaminação dos ecossistemas com vários tipos de detritos que, por não serem biodegradáveis, não voltam a fazer parte dos ciclos naturais de transformação. Esses detritos frequentemente são substâncias sintéticas e muitas vezes tóxicas. Talvez o caso mais conhecido seja o dos polímeros. A imagem das gigantescas “ilhas” de detritos plásticos flutuando no Oceano Pacífico é bastante conhecida, mas eles estão por toda parte, poluindo e contaminando o meio ambiente.

Outro aspecto é o uso abusivo dos recursos naturais. Matérias-primas não renováveis, extraídas continuamente, podem ter suas reservas esgotadas, comprometendo a sustentabilidade econômica. Solos usados intensivamente e sem o manejo adequado também podem se tornar inúteis. O desmatamento pode promover a desertificação de extensas áreas.

O terceiro desdobramento da questão ambiental é a elevação das temperaturas médias do planeta por conta do Efeito Estufa, causado pela contaminação da atmosfera com diferentes gases, principalmente o dióxido de carbono.

Assim, o contínuo progresso da humanidade vai depender de conseguirmos equilibrar crescimento econômico com a redução drástica dos impactos ambientais e, ao mesmo tempo, com a melhor distribuição dos benefícios desse progresso.

Nesse contexto, as embalagens têm grande importância. O fato de não consumirmos as embalagens, mas sim os produtos que contêm, levam muitos a crer que elas são inúteis e que poderiam ser dispensadas.

Consumir menos e dispensar o que é inútil podem ser atitudes sensatas em prol do meio ambiente. No entanto, a maior parte das embalagens ajuda a aproveitar melhor os recursos naturais, evita desperdícios e melhora a distribuição de riquezas.

As embalagens não surgiram sem uma razão forte. Proteger alimentos e outros produtos durante seu armazenamento e transporte reduz as perdas desses itens. Mais alimentos seriam descartados e desperdiçados se não fossem adequadamente embalados. Mais e melhores embalagens são necessárias para que recursos utilizados na produção sejam bem aproveitados e isso é bom para o meio ambiente. Havendo mais bens em boas condições à disposição, mais baratos e acessíveis eles serão às populações de baixa renda.

Então, não é boa ideia eliminar as embalagens das nossas vidas e isso nem seria possível. O que deve ser feito é produzir embalagens que tenham o menor impacto ambiental possível, de modo que sua utilização traga vantagens ambientais e sociais, e não prejuízos.

Considerando os três aspectos mencionados acima, uma boa embalagem deve ser, preferencialmente, biodegradável, para que não vire um detrito eterno, a poluir terras e mares. Deve ser produzida a partir de matérias-primas renováveis e, se possível, contribuir para mitigar o aquecimento global.

As embalagens de papelcartão atendem a esses requisitos e são, portanto, as mais adequadas à preservação do meio ambiente. Essas vantagens têm sido reconhecidas nos países mais desenvolvidos, tanto por empresários quanto pelos consumidores e, por isso, o aumento do uso de embalagens de cartão é uma tendência mundial.




O Instituto de Estudos Smithers Pira, da Grã-Bretanha, publicou neste ano os resultados de uma pesquisa realizada nos cinco maiores mercados europeus – Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Espanha. Foram entrevistados os principais varejistas e donos de marcas a respeito de suas percepções quanto ao tema embalagens e sustentabilidade. Algumas conclusões:

• 96% dos entrevistados consideram a sustentabilidade das embalagens importante para seus negócios;

• 81% consideram que reciclabilidade é importante, 48%, que é crítica;

• 62% acreditam que a demanda por sustentabilidade das embalagens deve aumentar;

• Embalagens de cartão são reconhecidas como as mais sustentáveis;

• Plásticos são vistos como difíceis de reciclar, podem usar fontes de matéria-prima não sustentáveis e conter produtos químicos perigosos.



Cartão é feito de celulose, que é extraída de árvores. No entanto, ao contrário do que muita gente pensa, toda celulose produzida no Brasil vem de árvores plantadas e nada vem de matas nativas. Trata-se, portanto, de matéria-prima renovável que não esgota recursos naturais. Em alguns países, usa-se árvores nativas, mas para cada árvore cortada, outras são replantadas de modo a garantir o crescimento das florestas. Na Europa, por exemplo, as florestas que fornecem madeira para a fabricação de papel, papelcartão e de outros produtos têm crescido 44 mil quilômetros quadrados nos últimos dez anos. Isso representa mais que a área de 1.500 campos de futebol a cada dia.

Além disso, a água utilizada na fabricação de celulose e papel não é perdida ou inutilizada. Mais de 90% do que foi empregado nos processos industriais é devolvido ao meio ambiente em condições adequadas, segundo os critérios legais. Frequentemente isso significa que a água devolvida é mais limpa do que a que foi captada dos rios.

As árvores que são plantadas constantemente, para garantir o suprimento de matéria-prima para as fábricas de celulose, contribuem para a redução do Efeito Estufa. Elas crescem capturando carbono da atmosfera pelo processo de fotossíntese, ou seja, limpam o ar. Papel e cartão são altamente reciclados. A taxa de reciclagem desses materiais no Brasil chega a 64%, segundo a Associação Nacional dos Aparistas (ANAP) – e este número tende a crescer. Na Europa a reciclagem de papel e de cartão alcança 82%. Os produtos são biodegradáveis e mesmo a fração que ainda não é reciclada será reintegrada ao ciclo natural e não se tornará um resíduo eterno como os plásticos. Você jamais verá pedaços de papelcartão flutuando na imensa ilha de lixo do Oceano Pacífico.



Two Sides é uma iniciativa global de empresas da indústria de comunicação gráfica, incluindo silvicultura, celulose, papel, tintas e produtos químicos, pré-impressão, impressão, acabamento, publicação, imprensa, envelopes e operadores postais. Nosso objetivo comum é promover a sustentabilidade do setor e dissipar os equívocos ambientais comuns, fornecendo aos usuários informações verificáveis sobre porque impressão e papel são um meio de comunicação atraente, prático e sustentável. Para obter mais informações ou para saber mais sobre Two Sides: www.twosides.org.br, twosides@twosides.org.br.


Manoel Manteigas de Oliveira é Diretor Técnico da Two Sides Brasil e da Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica (ABTG); especializado em “Gestão de Instituições de Ensino Profissionalizante” pela Universidade Federal de Santa Catarina e em “Ensino de Tecnologia Gráfica” pela Universidade de Chemnitz – Alemanha; graduado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e em Química Industrial pela Escola Superior de Química Oswaldo Cruz.

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